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minha querida

quinta-feira, março 31, 2016Thabata Lima Arruda

minha querida,
talvez essa carta chegue um dia, talvez seja tarde, ou talvez ela se perca em meio a tantas informações que nos bombardeiam diariamente. a cidade está com uma tensão impregnada em cada vagão, bar, ônibus, e a cada dia mais fica complicado dispersar esse cinza todo. lembra quando chorava todas as pitangas e angustias em seu colo? ou nem chorava? mas você entendia que era inquietude o que me afetava. eu, muitas vezes, não entendia a sua urgência, pedidos de ajuda e silêncios. entretanto, você sempre me acolhia. muitas vezes apenas com copo de café com leite ou um filme francês nunca assistido. sinto saudades do calor que fazia naquela sala, do ventilador velho nos refrescando, das pitangas manchando o chão do quintal, e outros pequenos, delicados e sofridos detalhes. confesso que não entendia a sua luta, a sua preocupaçao e o seu desprendimento. me sentia culpada por não te impedir, em alguns casos. eu estava ao seu lado, claro. mas em meu intimo eu desejava te salvar, mesmo você não querendo. menina, hoje somos mulheres diferentes, mas a capacidade de sonhar ainda permanece. se eu pudesse lhe oferecer algo, embrulhar algo e entregar em suas mãos seria gratidão. gratidão por contribuir em minha transformaçao e gratidão por ser forte todos os dias. que o seu talento apenas transborde. boa tarde.

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