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É menine! (ou meu neném tá mais para bolinho de chuva)

quinta-feira, setembro 01, 2016Mari Mendes



Desde que engravidei tenho ouvido sempre duas perguntas:

Primeira pergunta padrão: "você está de quantos meses?"

Essa pergunta geralmente vem seguida de uma cravada de olhar que analisa sua barriga, sua postura e seu corpo. Quando você responde alegremente: "4 meses e meio!" a pessoa já solta alguma opinião super-especialista sobre o tamanho da sua barriga: ou ela está grande demais ou pequena demais, nunca está "Ok", afinal, eu não sou uma pessoa, né, sou um manequim que deve ter sempre as medidas que as pessoas acham que devo ter. Aham. Tá.

Segunda pergunta padrão: "você já sabe o que é?"

Até então tenho respondido muito educadamente que ainda não sei. E, internamente, tenho pensado: e será que vou saber? O sexo biológico do meu bebê vai determinar o que ele é ou o que ele será? A partir do seu sexo biológico vou escolher brinquedos mais "adequados", incentivar posturas "adequadas" ou podar posturas "inadequadas"? O que será prioridade para mim como mãe: moldar a criança como bonsai ou permitir que ela se desenvolva e viva a vida?

 Hoje eu fiz a ultrassonografia que me deu a seguinte notícia: meu bebê possui um pênis.

O que isso significa para o mundo? Que ele vai ser machão, meninão, vai ser valentão, gostar de carros, mulheres, engenharia, etc.

O que isso significa para mim e para o pai do meu bebê? Significa que essa pessoinha será amada, terá sua criatividade e sua curiosidade estimuladas, aprenderá que o mundo possui limites e que é preciso transpor esses limites. Se vai se identificar com o universo masculino, se vai se expressar com maior ou menor delicadeza, se vai apreciar carros, gostar de mulheres, ser engenheiro civil ou filósofo? Isso não cabe a mim decidir.

Ultimamente tenho estado muito inclinada à metáforas culinárias, então lá vai uma: nosso bebê não é um cupcake que vamos colocar numa forminha, enfeitar com confeitos azuis e esperar que ele cresça dentro daqueles padrões. Nosso neném tá mais pra um bolinho de chuva, que vai cair da vida, tomar forma e ser a melhor versão de si mesmo, coberto de açúcar e acompanhado de café-com-leite (no caso a bebida não faz parte da metáfora é só desejo de grávida mesmo... rs).

Provavelmente não vou ser perfeita nessa minha tentativa, afinal, aprender inclui errar, mas acredito que refletir sobre essas questões já é muito importante para o processo.

E que venha meu bolinho de chuva!

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